Como gerir o impacto da subida da inflação na logística?

O incremento generalizado dos preços de bens e serviços — verificado desde o início do ano passado — coloca uma pressão superior na vida das empresas e dos particulares. Para as organizações da cadeia de abastecimento, a subida da inflação constitui um dos maiores desafios a enfrentar, ao longo de 2023. Além do acréscimo dos custos das operações de transporte de mercadorias, a inflação elevada gera níveis de incerteza superiores e torna desafiante o planejamento das operações de gestão de inventários e de armazéns.

Continue a leitura e saiba mais sobre o impacto da inflação na logística e confira alguns métodos para minimizar os efeitos desta conjuntura econômica.

Inflação na logística: porque ficaram os preços tão elevados?

Em primeiro lugar, importa analisar as causas das atuais pressões inflacionistas. Desde há 30 anos, não se registava, em Portugal, uma taxa de inflação tão elevada como a dos últimos meses.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2022, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação média anual de 7,8%. Aliás, só em dezembro, a taxa de variação homóloga do IPC situou-se nos 9,6%. Com efeito, esta tendência estende-se às principais economias mundiais. Na União Europeia, por exemplo, a taxa de inflação, em dezembro de 2022, situou-se nos 10,4%. Nos Estados Unidos, a história repete-se, tendo a inflação atingido, durante 2022, o nível mais elevado dos últimos 40 anos.

A justificação para esta tendência surge, sobretudo, associada à eclosão da guerra na Ucrânia. Sendo a Rússia um dos principais produtores de petróleo e gás natural, o conflito intensificou a crise energética, acentuando a escalada dos preços da energia. Além disso, a guerra exerceu uma forte pressão no fornecimento de algumas das mais importantes commodities agrícolas russas e ucranianas, como a soja, o milho e o trigo.

Para travar as pressões inflacionistas, os Bancos Centrais iniciaram um célere e acentuado aumento das taxas de juro de referência. Na sequência destas medidas, as taxas de inflação já começaram a demonstrar sinais de alívio.

Contudo, os preços dos bens e serviços deverão manter-se elevados, em 2023, segundo as estimativas dos principais organismos internacionais. Na Zona Euro, por exemplo, aponta-se para uma inflação entre os 5,7% (previstos pelo FMI) e os 6,8% (avançados pela OCDE).

Desse modo, as empresas deverão estar preparadas para blindarem as suas operações, combatendo os efeitos negativos da inflação.

Inflação na logística: subida dos custos operacionais

As consequências da inflação na logística empresarial sentem-se em diversos níveis. Por um lado, o aumento dos preços da energia reflete-se numa maior pressão sobre os custos associados ao consumo energético, nos armazéns. Esta situação torna-se ainda mais crítica nas empresas que trabalham com produtos sensíveis à temperatura, pois necessitam de soluções de armazenamento com refrigeração ou temperaturas controladas.

Todavia, no transporte de mercadorias, verificam-se os maiores aumentos de despesas para os intervenientes na cadeia de abastecimento. Por exemplo, os combustíveis representam cerca de um terço dos custos operacionais totais, no transporte rodoviário. Contudo, alguns indicadores revelam que, devido à subida dos preços, desde o ano passado, esta componente passou a representar até 50% dos custos operacionais, no setor.

Segundo um estudo recentemente publicado pela European Brands Association, 31% das empresas inquiridas registaram uma subida de 30% nos custos operacionais associados ao transporte e à logística. Aliás, 9% das organizações participantes, neste estudo, sentiram um aumento de 60% nos encargos operacionais, devido à inflação na logística.

Impacto da inflação na logística: maior incerteza e dificuldade em gerir inventários e armazéns

No entanto, os efeitos da inflação na logística revelam-se profundos, afetando o desenvolvimento dos negócios a outros níveis.

Com a elevação generalizada dos preços, acrescida do aumento das taxas de juros, as famílias tendem a adiar as suas decisões de compra ou a diminuir os seus níveis de consumo. Como consequência desta retração no consumo, os níveis dos inventários elevam-se e os armazéns ficam preenchidos com estoques, que as empresas não conseguem vender, nem substituir por novos produtos.

Esta situação prejudica mais as organizações que trabalham com produtos de consumo discricionário — isto é, destinados a cobrir necessidades não fundamentais —, mais sensíveis às flutuações dos ciclos econômicos.

Portanto, a gestão de inventários, bem como do espaço disponível em armazém, torna-se mais complexa, no atual cenário. Afinal, estoques em excesso não só dificultam as operações no armazém, como também aumentam o risco de os produtos se deteriorarem ou ficarem obsoletos. Além disso, exigem um maior investimento em espaço logístico e em recursos de gestão do armazém. Forma-se, então, uma acumulação de mercadoria, que não gera rendimento.

Desse modo, o atual momento reforça a importância de as cadeias de abastecimento promoverem resiliência, perante diversos ciclos econômicos e eventos inesperados. Similarmente, torna-se fulcral as organizações adquirirem agilidade e capacidade de resposta, durante os picos de elevada procura. Além disso, revela-se crucial preparar a desaceleração da atividade, quando os níveis de procura caem. Só assim as empresas conseguirão minimizar o efeito da inflação na logística.

Três passos para gerir o impacto do aumento da inflação na logística

Entre as estratégias de apoio às organizações, na acomodação dos efeitos da subida da inflação na logística, destacamos as seguintes, a saber:

Melhor planejamento

A antecipação de problemas continua a constituir o melhor caminho para as organizações lidarem com cenários adversos e adequarem os seus procedimentos e os seus recursos eficazmente.

Neste campo, o recurso a softwares promotores da visibilidade das operações, assegurando uma melhor integração com fornecedores e parceiros, torna-se essencial. Com efeito, a tecnologia permite ainda obter análises preditivas e traçar cenários. Deve socorrer-se destas ferramentas, não só para gerir os inventários, mas também para preparar as operações da sua organização para situações adversas.

Rotas de transporte otimizadas

Sendo o transporte de mercadorias uma das áreas mais afetadas pelos efeitos da inflação na logística, deverá prestar especial atenção a esta etapa da cadeia de abastecimento. Estude as rotas de transporte e identifique eventuais ineficiências.

Um dos maiores problemas, neste campo, consiste em gerir caminhões parcialmente vazios: durante o ano de 2020, cerca de 20% do transporte rodoviário de mercadorias, na Europa, realizou-se em caminhões parcialmente vazios. Portanto, confirma-se a importância de otimizar as rotas de transporte e o aproveitamento do espaço de carga disponível, nos caminhões.

Atenção redobrada à relação com os fornecedores

Um dos fenômenos decorrentes da atual conjuntura assenta na rutura do fornecimento de algumas matérias-primas. Muitas destas disrupções derivam dos constrangimentos verificados no funcionamento das cadeias de abastecimento, após a pandemia. Outras (como nas commoditiesagrícolas) resultam do impacto do conflito na Ucrânia.

Consequentemente, o atual contexto econômico reforça a importância de as empresas trabalharem com um conjunto diversificado de fornecedores, minimizando os riscos de falhas no fornecimento.

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