Como otimizar a eficiência energética na cadeia de abastecimento?

O desenvolvimento da Indústria 4.0 provocou uma revolução nos modelos de gestão das empresas e no funcionamento das cadeias de abastecimento globais. Contudo, a par da digitalização, surge ainda outra tendência potenciadora de uma nova, profunda e célere transformação das supply chains: a necessidade de melhorar a eficiência energética na cadeia de abastecimento, travando a fundo o aquecimento global e as emissões de carbono.

No entanto, como podemos alcançar este propósito? E quais são os principais entraves enfrentados pelas organizações na melhoria da sustentabilidade ambiental das suas operações, bem como das dos parceiros participantes na cadeia de abastecimento? Continue a leitura e confira as respostas para estas questões, associadas à eficiência energética na cadeia de abastecimento, neste conteúdo.

Melhorar a eficiência energética na cadeia de abastecimento é cada vez mais relevante. Porquê?

O impacto das alterações climáticas e a urgência na implementação de medidas que visem a descarbonização das economias não constituem problemáticas novas. Contudo, surgem agora no centro das agendas governamentais, das entidades reguladoras, dos gestores das empresas e também dos consumidores.

Por conseguinte, as metas revelam-se ambiciosas. Afinal, o Pacto Ecológico Europeu prevê uma redução das emissões de CO2 em 55%, até 2030. Aliás, até 2050, a Europa deverá ser o primeiro continente a atingir a neutralidade carbônica. Em suma: a União Europeia terá de conseguir eliminar tantas emissões de CO2, quanto as produzidas.

Numa verdadeira corrida contra o relógio, as empresas colocam, pois, no topo da sua lista de prioridades o desenvolvimento de estratégias para tornar as suas operações mais sustentáveis e eficientes, do ponto de vista ambiental. Com efeito, esta preocupação sente-se, sobretudo, nas entidades participantes nas cadeias de abastecimento com maior pegada carbônica. O futuro passará, assim, pela eficiência energética na cadeira de abastecimento.

De acordo com o relatório Net-Zero Challenge: The supply chain opportunity, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, existem oito cadeias de abastecimento responsáveis por mais de 50% das emissões globais. Estas surgem nos setores automóvel, da alimentação, da construção, da moda, dos bens de grande consumo, da eletrônica, dos serviços profissionais e de freight.

Estratégias de redução do impacto ambiental

Assim, como reflexo destas inquietações, assistimos a um número crescente de empresas a adotarem métodos de redução do seu impacto ambiental. Implementam medidas como, por exemplo:

  • Utilização de sistemas de iluminação e climatização de baixo consumo energético, nos edifícios;
  • Transição da frota para veículos elétricos ou híbridos, assegurando a logística last mile;
  •  Otimização das rotas de transporte;
  • Adoção de novos materiais no fabrico dos produtos, substituindo o plástico e os materiais de origem petroquímica;
  • Transformação das embalagens utilizadas no setor dos bens de consumo, reduzindo o espaço vazio e evitando o desperdício.
 
Quais são os principais obstáculos na descarbonização da supply chain?

Embora seja um imperativo para o tecido empresarial alcançar a eficiência energética na cadeia de abastecimento, este não será um caminho fácil. “A descarbonização ativa da supply chain está a transformar-se num critério para a operação das empresas. As organizações que ambicionem tornar-se exemplos no combate às alterações climáticas devem superar os obstáculos [que se perfilam] no caminho”, alertam os especialistas da McKinsey, numa análise publicada em 2021.

Nesse sentido, importa lembrar que nem todas as emissões se classificam da mesma forma. Por exemplo, segundo a classificação do Greenhouse Gas Protocol, as emissões de carbono podem dividir-se em três categorias:

Scope 1

Diz respeito às emissões diretas geradas pelas operações dentro da empresa, incluindo a combustão dos veículos controlados pela organização.

Scope 2

Refere-se às emissões provenientes do dispêndio de energia comprada a um fornecedor. Ou seja, resultam do consumo de eletricidade, vapor, aquecimento ou refrigeração.

Scope 3

Constituem emissões indiretas da atividade de uma empresa, relacionando-se com a sua cadeia de abastecimento. Como tal, estão fora do seu controlo direto. Por exemplo, uma construtora de componentes para automóveis deverá contabilizar, no campo das emissões de Scope 3, as geradas pela produção do aço, necessário ao fabrico dos seus equipamentos.

Por conseguinte, torna-se evidente que, para se atingir a neutralidade carbônica, não basta analisar e melhorar as atividades sob o controle direto das empresas. Revela-se também crucial adotar uma visão mais abrangente, sobre o impacto ambiental das cadeias de abastecimento.

Esta dimensão traz complexidade acrescida no combate às alterações climáticas e no cumprimento das metas de redução de emissões de gases com efeito estufa. Implica, da parte das empresas, a necessidade de um trabalho colaborativo com os fornecedores, parceiros e clientes, bem como um esforço coletivo para rastrear e melhorar a pegada ecológica das operações, ao longo de todo o ciclo do produto.

Desse modo, tendo em conta este contexto, surgem diversas barreiras na redução das emissões de carbono e na eficiência energética na cadeia de abastecimento. Entre os principais obstáculos, encontramos os seguintes, a saber:

  • Dificuldade em contabilizar as emissões enquadradas na categoria Scope 3— não só porque estas se distribuem por um conjunto alargado de fornecedores, frequentemente localizados em territórios distintos, mas também devido às dificuldades em aceder a dados fiáveis e rigorosos, por parte dos parceiros;
  • Os níveis de conhecimento e compromisso dos fornecedores e parceiros, relativamente ao cumprimento das metas sustentáveis, não se mantêm constantes, ao longo da cadeia de abastecimento;
  • Muitas empresas preocupam-se, também, com os custos necessários para atingir a eficiência energética na cadeia de abastecimento e com o impacto deles junto dos seus consumidores: estarão dispostos a pagar um preço mais elevado?
 
Passos para alcançar a eficiência energética na cadeia de abastecimento

Portanto, assegurar a eficiência energética na cadeia de abastecimento exige, nas corporações, a adoção de uma abordagem interna — implementando práticas mais sustentáveis nos seus processos —, mas também externa, envolvendo os seus fornecedores e parceiros.

Apresentamos alguns passos a seguir para tornar as cadeias de abastecimento das organizações mais sustentáveis, a saber:

Definir o rumo até à eficiência energética na cadeia de abastecimento, em vez de apenas medidas avulso

Para tal, torna-se fundamental medir e identificar a pegada ecológica das operações, rastreando-as. Só assim será, então, possível identificar os pontos de melhoria e traçar as metas a alcançar.

Repensar o envolvimento da organização com os seus fornecedores

Não basta pedir para reduzirem as suas emissões: as empresas devem sentir-se encorajadas a solicitar aos seus fornecedores e parceiros a definição e o cumprimento de determinados objetivos. Privilegie, sem dúvida, fornecedores que disponibilizem produtos e serviços ambientalmente sustentáveis.

Analisar e melhorar o ciclo de vida dos seus produtos

Por exemplo, recorra a materiais mais amigos do ambiente; implemente um redesign das embalagens, para reduzir o desperdício; otimize os processos de produção, diminuindo o consumo de energia, entre outros.

Focar a atenção nos processos logísticos para alcançar a eficiência energética na cadeia de abastecimento

Para maximizar os efeitos dos esforços de descarbonização numa empresa, revela-se crucial perceber como tornar os processos logísticos — sobretudo os associados ao transporte e à distribuição — menos poluentes e mais eficientes, do ponto de vista energético. Nos Estados Unidos da América, cerca de 27% das emissões de carbono, em 2020, provieram do setor dos transportes, segundo a United States Environmental Protection Agency (EPA).

Explorar a economia circular

A aposta no desenvolvimento de produtos recicláveis ou com uma “segunda vida” constitui um dos caminhos possíveis para melhorar a eficiência energética na cadeia de abastecimento. Segundo o Circularity Gap Report de 2021, apenas 8,6% da economia global é circular. No entanto, esta vertente tem potencial para reduzir as emissões poluentes em 39%.

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