Logística farmacêutica no Brasil: dificuldades que geram oportunidades

A palavra logística nunca foi tão utilizada como nos últimos 3 anos. Pessoas das mais diversas profissões, leigos e profissionais da saúde passaram a entender o significado desse serviço tão complexo, em virtude da pandemia do coronavírus ou Covid-19. Isso foi motivado pela necessidade absoluta de distribuição urgente das vacinas aos centros de saúde, hospitais e postos para vacinação de uma população gigantesca.

Assim, quem nunca tinha ouvido falar, passou a ouvir e saber o que significava. Quem já conhecia superficialmente, passou a entender melhor as diversas interfaces e dificuldades inerentes a esta atividade.

De um modo ou outro, a logística passou a fazer parte do vocabulário de muitos brasileiros, apesar de já conviverem com ela quando adquirem produtos ou solicitam uma compra pela internet.

Logística Farmacêutica

Na verdade, já faz parte da vida de milhões de pessoas que adquirem medicamentos, em lojas físicas ou virtuais, mas que não sabem como ela é organizada para levar o medicamento de uma fábrica até suas residências.

É bom destacar que a Logística Farmacêutica obedece a uma infinidade de requisitos e regulamentos para manutenção da qualidade dos medicamentos, desde a sua saída da fábrica, até o cliente ou paciente.

E quais seriam estes requisitos?

Começando pelos requisitos regulatórios a que estão submetidas as empresas (armazenadoras, distribuidoras, transportadoras, clínicas, hospitais), os quais estabelecem regras para manutenção da qualidade dos medicamentos. Entender as normas que regem o setor é primordial para um desempenho efetivo de compliance, em estado harmônico conforme diretrizes e regulações, evitando penalidades e riscos que comprometam a saúde financeira da empresa.

Dentro desse arcabouço regulatório destacamos, com convicção, que Boas Práticas Farmacêuticas é um dos alicerces mais significativos, pois estabelecem a forma com que os produtos devem ser armazenados, distribuídos e transportados, exercendo uma atuação direta com:

  • Sistema da qualidade bem estruturado nas empresas;
  • Unidade da Qualidade e Responsável Técnico, claramente definidos;
  • Programa de Treinamento de pessoal;
  • Procedimentos, fluxos e processos adequados, relativos às operações logísticas;
  • Processos de recolhimento, devolução, investigação de desvios, ações corretivas e preventivas, gestão de resíduos, entre outros, estabelecidos em procedimentos escritos.
  • Implantação de ESG – Princípios de gestão Ambiental, Social e de Governança;
  • Limpeza e Sanitização;
  • Controle de pragas e manutenção preventiva;
  • Medidas de monitoramento e controle de temperatura e umidade, quando aplicáveis;
  • Plano de gestão de riscos que envolva, não apenas as questões de sinistros, mas também a segurança intrínseca dos medicamentos, delimitada através dos requisitos regulatórios e a certas limitações/restrições impostas pelos regulamentos sanitários;
  • Gestão implantada com êxito para segurança interna e do transporte, já que medicamentos são produtos visados para roubos.
 

Esses requisitos, primordialmente, estão relacionados com nossos conhecimentos tradicionais em:

  • Gestão da Logística em Hospitais;
  • Gestão dos aspectos relacionados à Distribuição e Transporte;
  • Gestão das diversas atividades que compõem a Armazenagem;
  • Gestão de Produtos Perigosos, envolvendo o armazém e o transporte;
  • Gestão Farmacêutica dos produtos da Cadeia de Frio.
 

Contudo, existem campos para atuação farmacêutica em que essa lista acima alcança outros entes ou instituições, como:

  • Gestão de operações em Portos e Aeroportos, que transcende fronteiras e nas quais as condições de clima e manuseio são muito mais críticas;
  • Logística de Pesquisa Clínica;
  • Gestão das Operações Industriais Farmacêuticas, pois temos logística dentro das operações fabris, igualmente necessárias e fundamentais;
  • Gestão das Atividades de Terceirização, já estabelecida em resolução como atividade obrigatória, na figura do Operador Logístico e demais prestadores de serviços e fornecedores;
  • Logística nos Serviços Públicos de Saúde, pois a logística abrange também o estado e, por vezes, essa atividade é esquecida;
  • Gestão Logística de Comércio Eletrônico e do Varejo, muito importante quando analisamos para o last mile, conhecida como última milha;
  • E diversos outros campos ou atividades que muito bem caberiam aqui.
 

Isso significa que nossa atuação como farmacêutico na Logística é ampla e possui inúmeras interfaces, com diversos entes e atividades, exigindo um conhecimento diversificado e amplo, tanto em upstream, quanto a downstream, ou seja, antes e após as operações de produção.

Oportunidades

Administrar toda essa gama de informações e requisitos, fazendo o produto chegar ao paciente, dentro das suas características de qualidade é uma tarefa gigante, dadas as condições impostas à logística no Brasil.

Para exemplificar, a precariedade das rodovias (quando asfaltadas), o uninomodal, custos sobre o transporte, desafios de cobertura do território brasileiro (imensidão), segurança deficiente nas estradas, turnover elevado de mão de obra, ausência de sistema automatizado de coleta, gestão e análise de dados, treinamento deficiente, entre outros problemas, são os que mais afetam o desempenho e a produtividade e que, em última instância, podem comprometer a qualidade dos medicamentos.

Entretanto existem formas de melhorar isso. Existem oportunidades aguardando para um salto tecnológico. Claro que a automação interna nos armazéns é necessária, contudo, é preciso mais que isso.

Mas de que forma?

Estabelecendo um sistema de multimodalidade; implantando Polos Logísticos de apoio (distribuídos em pontos estratégicos pelo país), investindo em tecnologia como sistemas de informação online, Data Analytics – mineração de dados, IA – inteligência artificial, RPA – automação robótica, IoT – internet das coisas e aplicando mecanismos promotores de mudanças digitais nas empresas envolvidas, poderá elevar o nível da prestação de serviços, com produtividade, menor desperdício e segurança maiores.

O governo tem papel importante no planejamento de infraestrutura, com melhorias de malha rodoviária, implantação de ferrovias, cabotagem e hidrovias integradas e polos de apoio.

Porém, entendo que o farmacêutico deveria, além de exercer um papel técnico, que zela pela qualidade e pelos regulamentos sanitários, exercer também um papel de liderança como agente de mudanças, conquistando autonomia para melhorar a estrutura interna através da proposição de gestão tecnológica da Logística Farmacêutica, dentro do seu campo de atuação.

Fonte: 2A+FARMA

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